Vem aí 2010

Dezembro 25, 2009 - Uma resposta

A verdade, amigos, é que esse foi um fim de ano confuso, de novidades. E eu encontrei com Sid Meier’s Railroads, um jogo demoníaco que suga a alma das pessoas aos poucos. E tenho tido insônia.

Descobri que manter um blog diariamente é ilusão. Não é para mim. Mas não vou desistir. Vou segurar o ritmo do blog com um post por semana.

Um último aprendizado deste ano vem do mesmo Sim Tower, que ensina sobre elevadores, no post logo abaixo. Minha casa está um pouco bagunçada, e logo apareceu uma barata. Em Sim Tower (e mais tarde em The Sims) também é assim. Se você deixa os apartamentos sem limpeza, logo aparece uma infestação de baratas.

A solução também está no jogo: chama a moça da limpeza. E é iiiisso que eu vou fazer.

Um feliz natal e um ano novo legal. Em 2010 perseguirei a meta de ser o cara que eu sempre quis ser. Desejo a vocês o mesmo.

Até a semana que vem, com novos aprendizados e reflexões.

A beleza de não esperar

Dezembro 9, 2009 - Deixe seu recado!

Passei, a trabalho, alguns dias hospedado no Hotel da Bahia. É um dos grandes hoteis baianos, onde se hospedou Michael Jackson. Estive em contato com artistas e produtores da Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos, Israel, México, Argentina e até mesmo Pernambuco.

Uma das coisas que me chamou a atenção no hotel, foi a velocidade e suavidade do elevador. O tempo que levava para chegar ao décimo andar, no Tropical, é menor que o tempo que eu levo para chegar no segundo andar usando o Schindler do meu prédio. E sem solavancos! Outro elemento de eficiência é o fato de um mesmo botão servir para os 3 elevadores, o que me pareceu uma quantidade adequada de elevadores para a capacidade do hotel. Vocës sabem, eu tenho alguma experiëncia em logística de elevadores.

Gente, quanta gente!

Sim Tower, da Maxis, de 1995, foi um jogo desenvolvido a partir de um software de simulação de eficiência de elevadores. Nele você deve pensar logística de funcionamento de um prédio múltiplo – algo assim como o que poderia ter sido o Copan – onde funcionam escritórios, consultórios, apartamentos, kitnets, cinemas, ataques terroristas entre outras eventualidades da vida moderna. Para que tudo funcione, você deve administrar o nível de stress dos frequentadores do prédio. Quanto mais se espera por um elevador, por um serviço de quarto, mais stress. Outras coisas que aliviam o stress é o conceito Le Parc de vida: cinema, consultório médico, restaurantes, tudo no mesmo lugar!

Não é um jogo imperdível, mas graças a Sim Tower, quando espero pouco tempo por um elevador, sinto no ar o sabor das boas coisas da vida e do trabalho bem feito.

O mais jogado

Dezembro 8, 2009 - Uma resposta

O jogo mais vendido da história é The Sims. Um jogo “de menino” acessível para meninas, duplicou o público-alvo. O que é insuficiente para medir como jogo mais jogado de todos os tempos, posto que joga-se Super Mario loucamente em diversos emuladores pelo mundo, Pac Man, e os coreanos certamente desequilibram para Starcraft, e há ainda os fãs incuráveis de Doom e Civilization que caminham entre nós, disfarçados de pessoas normais. Creio no entanto que ignora-se um fato importante que se impõe de maneira contundente: a massa de entediados jogando Paciência. Onde houver um Windows e 5 minutos de nada para fazer, haverá um Paciência aberto.

zzzzzzzzzzzz...

Com isso aprendi que, assim como na música, o mais popular certamente tem algum mérito ligado a estrutura ou contexto, mas popularidade não está – definitivamente – atrelado a qualidade.

Um texto muito bom sobre Paciência está aqui, para quem lê em inglês.

Simulacro de conflitos reais

Dezembro 7, 2009 - Deixe seu recado!

Um fenômeno da internet são os jogos para milhares (milhões?) de usuários. Acho uma porcaria. É realmente muito difícil você criar uma forma de jogo em que haja compatibilidade entre o cara que acabou de chegar e o cara que joga 4h por dia, diariamente. Daí por mais interessantes que sejam, os nerds que estão com a vida ganha e têm vida sexual nula sempre tomam conta do negócio, e jogar essas coisas resume-se a uma grande frustração para nós, humanos.

Faça sua Vila! Alie-se com os vizinhos! Muita felicidade!

Manage the Band, Travian ou Mafia Wars do Facebook, você joga por um navegador de internet, mas tem Ultima Online, que foi relativamente pioneiro nesta pegada de um universo paralelo onde todos são jogadores, até que a coisa alcançou níveis altos de complexidade com Spore, e proporções preocupantes com World of Warcraft.

Oi, alguém quer tc? ASL? ASL?

Todos esses jogos, numa perspectiva macro, reafirmam o estrago que a burguesia desocupada pode trazer ao mundo. Incitam crackers revolucionários a agir pela expropriação dos avatares daqueles que, não tendo que trabalhar, estudar, ou se preocupar com a própria existência, desequilibram qualquer universo paralelo virtual na rede mundial de computadores. Reflete-se assim, de maneira indireta a desigualdade do mundo real, já que os que têm vida ganha comandam o jogo e aqueles que se dedicam a qualquer coisa útil na vida estão fadados ao fracasso. Marx teria algo exagerado a dizer sobre isso. Se não ele, os marxistas sim. Esses, com certeza.

Honestidade com as boas ideias

Dezembro 6, 2009 - Deixe seu recado!

Jogabilidade não é tudo, é bom que se diga. As vezes o conceito é tão interessante que a coisa sobrevive só na ideia. Se bem desenvolvida, é claro. Então tem esses extra-terrestres havaianos do funk que viajam numa nave espacial e acabam colidindo com a Terra e espalham as peças do automóvel galáctico pelo planeta. O que fazer? O que fazer? Relaxar e dar um rolé, ao som da melhor linha de baixo já composta na história do vídeo-game, achar das peças da astronave para voltar para o planeta de origem: Funkotron. Isso é Toe Jam & Earl.

Earl é o gordão de samba-canção e Toe Jam tem três pernas - sem conotações sexuais

A Terra, para melhorar não é bem a Terra. São 21 camadas de grama Maurício de Souza conectados por elevadores e muitos perigos psicodélicos e presentes especiais. Para combater os inimigos, tomate neles! O conceito é tão apaixonante que mesmo sendo um jogo desafiante, muitas vezes jogava-se sem o intuito de zerar. O negócio era curtir a trilha, os personagens, o gráfico, as interações e as dicas do Sr. Cenourão.

No fim do jogo aliens suingados voltam para Funkotron e são felizes e todo mundo dança. Lançaram Toe Jam & Earl 2 e 3. O 2 parecia ser péssimo. Fui preconceito e não joguei. O 3 parece ser só mais um GTA disfarçado de uma boa idéia. Se algum dia eu me recuperar do trauma deste recente Larry, eu tento. Mas realmente não parece bom, também. Me parece que a grande lição de Toe Jam é a mesma de Matrix. Sinceridade no coração ao executar uma grande idéia sem medo de ser feliz, resulta em obras inesquecíveis. Tentar transformar clássicos imortais numa linha de montagem para ganhar muito dinheiro é o caminho certo do fracasso. Os Embalos de Sábado a Noite Continua estão aí pra não me deixar mentir. Estou apreensivo em relação a Starcraft 2.

Destino

Dezembro 5, 2009 - Deixe seu recado!

Então vou voltar a falar de jogos educativos.

Muita gente acha que Age of Empires é da Microsoft. Não é, ela só distribui. A Microsoft não faria algo bom, assim, de primeira. O melhor programa do Office, o único realmente bom, é o Excel, que todo mundo sabe, foi chuparaiado do Lotus123. É uma empresa boa em copiar a idéia dos outros, torná-la pior mas deixar com uma cara mais bonitinha. Para a minha sorte, isso raramente funciona com jogos. É um mercado difícil.

Um castelo! Uma catedral! Um moinho! Uma arqueria! Na Mesma praça! Desconexo, ok, mas todo mundo sabe que é um jogo.

Age of Empires, ou apenas “Age”, para os íntimos, é da Ensemble Studios. É um dos herdeiros do conceito que Warcraft popularizou: monte uma base, evolua, ataque, sobreviva, em tempo real. É como um jogo de xadrez, sem tempo para respirar, em que não se pode ficar parado. Ou tranquilo. Você escolhe uma civilização, e cada uma delas tem as suas características especiais baseadas em fatos históricos conhecidos. Foi o primeiro jogo que eu e meus amigos jogamos seguidamente pela internet, ainda com conexão discada, madrugada adentro, e a gente literalmente suava, jogando isso.

Os hunos não precisam construir casas, os mongóis têm excelentes cavaleiro-arqueiros, os vikings são imbatíveis na água e os bizantinos têm uma cavalaria devastadora. Embora a grande diversão fosse enfrentar uns aos outros, no formato de jogar sozinho, as histórias remontavam fatos históricos reais ou quase reais. William Wallace, Genghis Khan, Joana D`Arc e Saladino estão lá, entre outros.

Pra quem é curioso de procurar saber mais em outras fontes o jogo é uma excelente cutucada. Mas não apenas isso, o próprio jogo trás textos explicativos sobre os detalhes de cada civilização. Claro que a coisa foi adaptada para ficar equilibrada, e eventualmente os incas e astecas podem derrubar os conquistadores espanhóis, já que o conceito de “gripe” não faz parte do jogo. Vencer é uma questão de estratégia.

Então aprendi ou fui levado a aprender muitas coisas jogando Age of Empires 2 (o primeiro é fraco, o segundo é um clássico, o terceiro é um erro). Mas o que ficou, realmente cravado na minha consciência e que jamais esquecerei é: coreanos sempre, sempre se dão mal. Sem chance

Talvez por isso prefiram jogar Starcraft.

O brilho acaba

Dezembro 4, 2009 - Uma resposta

Um amigo de infância dos mais queridos ao jogar Super Mario Bros, não gostava de pegar a estrela. Ele pegava a flor, o cogumelo, a peninha, o cogumelo verde que valia uma vida, mas fugia da estrela multi-cores quando ela vinha pulando.

It`s me! Mario! Aproveitando conceitos de Spore...

“É uma armadilha”, ele dizia, com um ar de sabedoria que só os meninos de 10 anos sabem ter. “Você fica invencível, se acostuma, aí o poder acaba e você morre!” Uma expressão juvenil de paranóia que mais tarde foi provavelmente diagnosticada.

Mas a vida é assim, dos caminhos mais tortuosos, as lições mais valiosas. Com o passar dos anos fui descobrindo a duras penas, que tal qual em Super Mario, assim é a vida. As vezes a gente vira uma estrela, uma deusa brilhando em multicores, se acostuma, o efeito de repente passa e você toma no meio do… umbigo. Atentai, mortais, que o brilho passa e a vida continua.

Japonês é tudo igual

Dezembro 3, 2009 - 3 Respostas

Há realmente pouca coisa para aprender com Street Fighter II, além de aprender a jogar. O jogo é um clássico, reinventou as palavras “intuitivo” e “jogabilidade” em suas diversas edições, e onde Mortal Kombat era duro, Virtua Fighter era lento e feio demais, Pit Fighter, o pioneiro era bem limitado. Street Fighter se destaca.

Ó lá o japonês espocando o hulk do Brasil

Cada um dos jogos de luta tinha um charme. Em Pit Fighter, você lutava no meio de uma rodinha de briga. Se encostasse na borda, os “populares” te davam porrada. Mortal Kombat é sangrento beirando o escatológico, usando imagens de atores reais. Engraçado que na versão para Mega Drive o sangue foi censurado. Os lutadores apanhavam e saia sopa. Virtua Fighter explorava o fato de ser 3D, com gráficos poligonais e a câmera girava até você ficar tonto. Street Fighter 2 não tinha nada disso. Tinha uns detalhes, como uma fase bônus em que vocë quebrava um carro no murro, mas nada demais. O diferencial de Street Fighter 2 é que era bom. Fim. Bom de jogar e acabou. Vale citar The King of Fighters, que é bom, mas menos intuitivo e com personagens menos carismáticos.

Americanos têm cada idéia...

O que aprende-se disso tudo? Alguma coisa. Primeiro que firula engana mas não vende, afinal Street Fighter é clássico absoluto inconteste da categoria. A segunda coisa que se aprende é um ensinamento explícito. Antes do jogo começar, uma mensagem do FBI (sério) deixa muito claro: WINNERS DON’T USE DRUGS (vencedores não usam drogas). E por fim, aprendemos que é OK sacanear japonês, fazer piada de japonês e chamar japonês de “china”, “japa”, “corea”, “amarelo” ou similares, afinal, quando têm a chance de representar o Brasil eles colocam um bicho verde feioso do mal que dá choque, luta “capoeira” e vive na selva. De acordo com a regra do Itamaraty de tratamento equivalente, nossa obrigação é tripudiar. Legaaaaaal.

Tempo

Dezembro 2, 2009 - Uma resposta

Daí veio a enxurrada de coisas pra fazer, e o blog ficou um pouco para trás.

Bom, o meu bom amigo Pedro Guimarães compartilhou um jogo esses dias que diz muito sobre a situação em que tenho me encontrado essas duas últimas semanas. Trata-se de Multitask, um dos 35 bilhões de jogos em flash que inundam a internet diariamente. Simples, objetivo, em Multitask você tem que olhar para quatro telas distintas e sobreviver aos perigos. Completamente sem graça, se separados, os quatro juntos trazem à tona emoções fortes.

Deixei a bolinha cair e de novo, menos de 100 pontos, uma vergonha

Eu gosto desse tipo de jogo. É uma categoria à parte de teste de coordenação motora e atenção. Me sinto um atleta, um prodígio do xadrez, alguma coisa assim. Nesse caso em particular, minha pontuação máxima ainda é 98. Nada realmente impressionante. Mas continuarei tentando, e se chegar mais longe, conto para vocês. 121! Bora Baêa!

Devido ao multi-task da “vida real”, o blog ficou um pouco sem atenção. Mas estou atento. Não cansei, nem o meu acervo acabou. É só o tempo. Se quiser se arriscar no Multitask, clique aqui. É gratuito, não é vírus e a música é péssima.

A internet destrói

Novembro 17, 2009 - 6 Respostas

Sobre aprendizado em jogos, tem uma grande quantidade de jogos que não tem graça direito, escrever. Eles já foram pensados para você aprender determinadas coisas. Minha professora de geografia da oitava série – uma paranóica divertidíssima – chegou a dizer que “nos Estados Unidos eles botam as crianças para gerenciar cidades de brinquedo nos computadores, para que eles pensem a cidade e sejam cidadãos mais conscientes”! Ela provavelmente não sabia, mas estava falando de SimCity, e alguém a informou erroneamente que o jogo era uma disciplina em escolas americanas. O que não seria, aliás, de todo mal, mas não é verdade.

Feioso, porém gostoso

Um dos meus preferidos, que eu jogava antes da popularização da internet, era Carmen Sandiego. Hoje, não faria tanto sentido. Sandiego era uma ladra de artigos finos e raros e históricos e interessantes. Você era um detetive correndo o mundo atrás dela. Daí as pessoas te davam dicas do tipo: “Ela comprou um dicionário inglês-mandarim”. Arrá! Ela está indo para a China! E lá vai você para este lugar pequeno, China, perguntar às pessoas se elas viram Carmen Sandiego. Quanto mais pistas você coleta, mais longe ela fica. O segredo é deduzir a localização do inimigo sem ter que perguntar demais. A Enciclopédia Barsa ficava do meu lado. Eu lia muito jogando isso. Já consegui prender vários capangas de Carmen, mas nunca a própria Carmen.

Hoje, no reino dos trapaceiros e dos blogs que ensinam como completar qualquer jogo que tenha qualquer charada, Carmen não resistiria. Seu último suspiro foi em 2001 – durou bastante, até. Hoje os moleques correriam atrás apenas da resposta específica, num blog tal e não aprenderiam nada. Já eu, lia a Barsa.

Com Carmen Sandiego aprendi que a internet as vezes destrói coisas bonitas.

Estou em conflito.