Está tudo conectado

Hoje é dia de Blizzard Entertainment.

Warcraft: Humans and Orcs, o jogo que em 1994 cravou o nome da Blizzard na história dos clássicos do vídeo-game, mostra, como o nome diz, humanos aliados aos elfos, lutando contra orcs, globlins, ogros e outras criaturas do vasto folclore europeu, sem muito esforço de ambientação ou história de fundo. Diablo, o hit seguinte, se passa no Reino de Khanduras (que fofo), tem céu, tem inferno, tem anjo, tem diabo, tem referências suaves à mitologia grega, mas não tem Terra. Nem Bíblia. Jesus? Nem pensar. É tudo em um mundo à parte. E Starcraft? Se manda para o futuro, e apesar da Terra ser referenciada como uma coisa de um passado distante, se foca numa política de guerra intergaláctica entre humanos, zergs (um tipo de alien) e protoss (outro tipo de aliens). Ao fim, World of Warcraft, cria mais um novo mundo.

Diablo 2: Nunca gostei muito deste jogo do demônio. DO DEMÔNIO.

Esta tendência não evita, no entanto, graves conflitos com a vida real. Se o mundo imaginário permite um uso menos cuidadoso de questões morais e violentas, as relações não deixam de existir.

No momento seguinte a cabeça do prisioneiro explode. Teve um 1º de Abril que a Blizzard anunciou que ia ter Blackthorne 2.

Vejamos Blackthorne, também de 94, é uma cópia da plataforma de Flashback e seus amigos sobre os quais eu já falei. Qual o diferencial? Enquanto em Prince of Persia e Out of this World, você é um herói apaixonado, ou um sujeito confuso e inocente, no jogo da Blizzard você é Kyle, um militar malvadão no planeta Tuul (hmm…), atrás de sangue e vingança. Você conversa com muitos prisioneiros acorrentados na parede. Não só não há possibilidade de libertá-los, como é possível ouvir o que eles têm a dizer, ou pegar o item que eles têm para oferecer, e explodir a cabeça dos coitados na sequência. Esse conjunto de fatores, coloca Blackthorne no meu top 5 da imoralidade.

As duas Kerrigans. Ruiva do bem, rasta do mal.

Já em Starcraft, os humanos são típicos brancos mocinhos de filmes americanos. O jogo segue bem a cartilha do cinema de ação. No decorrer da trama, uma personagem humana, Kerrigan (RUIVA), se transmuta em zerg, e vira a líder deles. Impossível não pensar em Um Ninja Americano ou Avatar (o branco americano assim que conhece outra cultura se torna o melhor de todos nos parâmetros da cultura estrangeira). E agora que ela é uma líder vilã alienígena, deixa de ser ruiva e assume um visual… rastafári. Já os protoss são caricaturas de fanáticos religiosos. O nome da mais básica unidade de combate deles é Fanáticus, e por acaso, o vocabulário destes alienígenas tem um estilo bastante bíblico, com muita fé e uso da segunda pessoa. Com Jar Jar Binks, de Guerra nas Estrelas, foi uma super polêmica (“o alien negro mora no gueto”, etc). Creio que Starcraft está ainda na zona segura, onde esteve Ensaio sobre a Cegueira: é um sucesso mundial, mas para um grupo específico. Se virar filme, os protestos com certeza surgirão – como aconteceu com o Ensaio.

Gold farmers chineses. Esse ano a Blizzard deletou mias de mil contas.

O melhor, no entanto, fica para o final. World of Warcraft, a mais complexa forma de masturbação coletiva conhecida pelo homem, se envolveu em problemas inesquiváveis. Na China e nos EUA, dos que eu consegui ter notícia, existe uma coisa chamada GOLD FARMERS. São pessoas que criam contas do jogo e ficam repetitivamente cliclando em uma espécie de treino, para ue o personagem evolua. Uma vez bastante evoluído, a conta do personagem é vendida por dinheiro do mundo real, para um usuário que quer começar já com um personagem forte. Daí você tem dezenas de pessoas numa sala clicando a valer por 8 ou 10 horas por dia, para vender personagens, num esquema bastante industrial. Há uma denúncia recente que deixa tudo mais interessante. Presídios chineses estariam forçando detentos a jogar World of Warcraft, com a finalidade de vender persoangens para usuários americanos. Escravos do submundo do vídeo-game.

Nunca joguei Warcraft 3. Simplesmente não parece bom.

Duas coisas interessantes aí: 1, isso pode muito bem ser invenção de jornalistas yankees sem escrúpulos ou credibilidade, interessados em entrar na onda de demonização da crescente economia chinesa. Uma prática americana bastante comum. 2, mesmo que a notícia dos prisioneiros seja falsa, o que é razoavelmente provável, o fernômeno gold farming já é muito bizarro. Como isso prejudica a experiência de jogo diretamente, duas ações da Blizzard já foram tomadas: 1, scanear o seu PC enquanto você joga para ver se outros programas estão interagindo com os programas da Blizzard (e assim detectar scripts fazendo o trabalho de gold farmers), o que envolve questões sérias de privacidade, pela quala Blizzard já foi processada antes. 2, fazer uma investigação caso a caso, e suspender permanentemente contas suspeitas. Acho curioso que das notícias lidas, ninguém parece responsabilizar o comprador de personagens evoluídos – como se faz com o tráfico de drogas – e ninguém sugere mudanças na mecânica do jogo para tornar esse tipo de ação menos provável.

Com isso aprende-se, não adianta fugir ou delirar, a realidade sempre bate à porta. Esse blog é só mais um claro indício disso.

Uma resposta

  1. po man, gold farmers é um emprego como qualquer outro….
    ja ouvi falar em caras que pegam profissoes bizarras mais que te daobons presentes, como o cara que consegue boas moontarias, e entao as vende por dinheiro real.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.