Credibilidade

Ayrton Senna aflora o meu lado iconoclasta.

Ayrton Senna’s Super Monaco GP II, é a continuação do hit dos primórdios dos anos 90 Super Monaco GP. O jogo evolui um pouco do primeiro para o segundo no Mega Drive. Para o Master System, o que eu tinha e joguei, muda-se praticamente nada. O grande diferencial agora é que este é um super jogo, um jogo super melhor, que contou com a supervisão pessoal de Ayrton Senna no seu desenvolvimento. A cada nova pista, Senna te dá dicas de como melhorar o seu desempenho, há pistas especiais desenhadas pelo próprio Senna! E você não joga como sendo Ayrton, mas joga como sendo você correndo contra o campeão do mundo. Uma propaganda da revista SUPERGAME dava a entender que o desempenho do carro de Senna, no jogo, era resultado do empenho e esforço do próprio Senna.

A primeira tela do jogo

Numa época em que não havia internet, esse tipo de publicidade era muito efetiva e muito comum. Você ia jogar vídeo-game numa simulação tosca de multiplayer contra o próprio Ayrton Senna e acreditando que ele sentou com uma equipe de programadores para passar as dicas de como o jogo seria mais realista.

Havia um problema, no entanto. Pelo menos na versão do Master System: o jogo era meio fácil. Era meio moleza, especialmente a pista da Itália, e passar de Senna não era a coisa mais complicada do mundo. Ele freiava demais nas curvas. O que é um completo contra-senso, uma vez que Senna sagrou-se o maior corredor de sua época, justamente por correr sempre no limite. Justamente por ser o obcecado que continua se esforçando para baixar o próprio tempo, mesmo com uma distância segura do segundo colocado.

Senna e Prost, na mesma equipe (McLaren), batidos de propósito, no GP de Suzuka. Cenas que apresentam o auge da maluquice da era de ouro da F1 - bem diferente da gincana para ser funcionário do mês, que se vê hoje

Assim, Ayton Senna’s Super Monaco GP II não ilustra a gloriosa história do desenvolvimento dos grandes jogos, mas estará para sempre em nossos corações na gaveta das estratégias de marketing nem tão honestas assim, ao lado de Mônica no Castelo do Dragão e a campanha da Telefônica estrelando Marcelo Tas.

Tas no site da Telefônica, ganhando dinheiro e associando credibilidades. Quando houve uma pane no serviço, Tas fugiu das perguntas dos jornalistas sérios e não quis informar qual o serviço de internet ele usava.

Com isso, aprende-se: produtos que usam a credibilidade de celebridades, astros, ídolos, heróis ou ex-BBB’s como fonte de confiabilidade, são claramente uma furada. Prefira os produtos que usam anunciantes anônimos e que tratam de qualidades reais nos seus anúncios

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